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sábado, 18 de novembro de 2017

MOLIÉRE E O TEATRO


Aconteceu!
Molière chegou a Paris em 1658 . Estabelece-se definitivamente no teatro do Petit-Bourbon, onde, a 18 de Novembro de 1659, faz a estreia da sua peça “Les Précieuses ridicules” ("As Preciosas Ridículas") - uma das suas obras primas que não era mais que a primeira incursão do autor na crítica dos maneirismos e modos afectados que então eram comuns em França e considerados "distintos". A peça foi inicialmente proibida, mas pouco depois recebeu autorização para ser posta em cena. O estilo e conteúdo deste seu primeiro sucesso relativo tornou-se rapidamente no centro de uma vasta controvérsia literária.
ARFER

sábado, 28 de outubro de 2017

domingo, 22 de outubro de 2017

BERTOLT BRECHT



"E SE OS TUBARÕES FOSSEM HOMENS?" -  DE BERTOLT BRECHT

"Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha da sua senhoria ao Senhor K., eles seriam mais amáveis com os peixinhos?
Certamente, disse ele.
Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos com todo tipo de alimento, tanto animal como vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca, e tomariam toda espécie de medidas sanitárias.
Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, então lhe fariam imediatamente um curativo, para que ele não morresse antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem melancólicos, haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes.
Naturalmente, haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas, os peixinhos aprenderiam como nadar para as goelas dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.
O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura.
Os peixinhos saberiam que esse futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam evitar toda inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista, e avisar imediatamente os tubarões, se um dentre eles mostrasse tais tendências. Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões.
Os peixinhos – eles iriam proclamar – são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não podem se entender. Cada peixinho que na guerra matasse alguns outros, inimigos, que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, naturalmente haveria também arte entre eles. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores soberbas, e suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos nadando com entusiasmo para as gargantas dos tubarões, e a música seria tão bela, que a seus acordes todos os peixinhos, com a orquestra na frente, sonhando, embalados nos pensamentos mais doces, se precipitariam nas gargantas dos tubarões.
Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa apenas na barriga dos tubarões. Além disso, se os tubarões fossem homens também acabaria a idéia de que os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores poderiam inclusive comer os menores. Isto seria agradável para os tubarões, pois eles teriam, com maior freqüência, bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores, detentores de cargos, cuidariam da ordem entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, construtores de gaiolas, etc.
Em suma, haveria uma civilização no mar, se os tubarões fossem homens.


Bertolt Brecht (1898-1956) reuniu na obra Histórias do Senhor Keuner, em 1932, parábolas escritas com humor e ironia, satirizando o comportamento da sociedade.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

CALENDARIO GREGORIANO


 11 de Outubro de 1582
 HÁ 435 ANOS, 158.883 DIAS, ACONTECEU.
 Para Portugal, Espanha e Itália, os primeiros países a  adoptarem o “Calendário Gregoriano”( Oficialmente o primeiro dia deste novo calendário foi 15 de Outubro de 1582), o dia 11 de Outubro não existiu.
Foram omitidos dez dias do “Calendário Juliano”, deixando de existir os dias de 5 a 14 de outubro de 1582. A bula ditava que o dia imediato à quinta-feira, 4 de outubro, fosse sexta-feira, 15 de outubro.
Só quatro séculos passados, é que todas as nações do planeta azul o adoptaram, e, por isso, é que as datas comemorativas são assinaladas mundialmente pelo calendário Gregoriano.
Porém, nalguns países e regiões, ainda se conservam outros calendários ª) para uso religioso inclusive com cronologia diferente da adotada pela Igreja Católica Romana.

OBS:
a)Para esta mesma data outros calendários apontam anos diferentes, como: Ab urbe condita 2769; Calendário Babilônico 6766; Calendário bahá'í 172–173; Calendário budista 2560; Calendário hebreu 5776–5777; Calendário hindu Vikram Samvat 2072–2073; Calendário hindu Shaka Samvat 1938–1939; Calendário hindu Kali Yuga 5117–5118; Calendário Holoceno 12016; Calendário iraniano 1394–1395; Calendário Islâmico 1437–1438 entre outros.

(a) Após pesquisa na Enciclopédia.

Hoje, 2ª terça-feira do mês de Outubro (octo, "oito" em latim; o oitavo mês do calendário de Rómulo)  ´É DIA DE MARTE.
ARFER   

domingo, 8 de outubro de 2017

JOSÉ SARAMAGO - MEMORIAL LITERÁRIO

MEMÓRIAS: 8 DE OUTUBRO DE 1998
 
José Saramago recebeu, em Estocolmo (Suécia), o Nobel da Literatura, tornando-se o primeiro escritor de língua portuguesa a ser distinguido com este prémio.

Discursou em português na Academia Sueca, José Saramago fê-lo na língua do seu país o que não acontece com outros galardoados que o costumam fazer em inglês.
EM SUA MEMÓRIA:

PALAVRAS DITAS (Moita -2012) 
A DANÇA É como a VIDA
Neste palco do MUNDO
Em que todos somos atores.
Na dança dos sonhos
Só se erguem HOMENS de sonho,           
Na lucidez da sua cegueira,
Na dureza do seu caráter,
Nas palavras do seu Evangelho.
E na corrente, limpidez da sua PALAVRA
Carregada de sabedoria                                
Levar-nos-ia na “Jangada de Pedra”
Comandada por bom timoneiro
Ao encontro da “Ilha dos Sonhos”
Onde todos os homens e mulheres
Seriam livres e “Levantados do Chão”.       
Nessa sua “Ilha desconhecida”
Em que múltiplas gentes
De todos os continentes,
Numa sinfonia multicultural,
Fariam dela a sua PÁTRIA.                       
  
Nela honrariam a língua que os unia
Numa dança e num canto de louvor à LIBERDADE.
Por ela derramariam o seu “sangue”,
Pela igualdade no direito e no dever.
No sonho que nele habita                          
    
Dessa tal “Ilha encantada«
Em que o SER dignifica                                                                                                              
E o TER não lhe diz nada
ARFER - 2010

sábado, 30 de setembro de 2017

FERNANDO TAVARES MARQUES - MAIS UM ANITO



 
 
DAQUI A 23 ANITOS CÁ ESTAREMOS A COMEMORAR 
 
AMIGO
Que continues a escrever
Poemas deste calibre
E tenhas essa vontade
De querer um país livre
E que a liberdade assente
No conceito da igualdade
De direitos e deveres.
Embora havendo pareceres
De que é uma utopia
Estamos certos da razão,
Esta não se fantasia.
O que dizes faz sentido
E vale em todo o momento
Desse passado sabido
É que vem o nosso alento.
É certo que em todo o tempo
Houve algumas frustrações
Por “batalhas” que perdidas,
Por insondáveis razões
São recordações vividas
Que trazem ensinamentos
Para a lutas que aí virão
Tendo em vista um Mundo novo.
Aquele que nós sonhámos
E muitos irão querer
Porque o futuro é do povo.
Eu penso o mesmo que pensas
E estando do mesmo lado
nesta luta desigual,
Uma certeza nós temos
Ao pensar em Portugal
Em tudo aquilo que fazemos.
Os ideais, o direito e a razão
E é nesse nosso acreditar
Que o lutar faz sentido.
Daqui,  à frente do monitor
Te mando um abraço amigo
Eu cá estarei sempre contigo
Nas “lutas” que hão-de vir.     
E com crer, avante camarada
Que um homem sem ideais 
NESTA VIDA NÃO É NADA! 
ARFER

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

ÉVORA- CIDADE MUSEU - O FILME DA SEMANA.

ÉVORA - CIDADE PATRIMÓNIO MUNDIAL - COM MAIS DE 2000 ANOS DE HISTÓRIA . É TESOURO A PRESERVAR E CONHECER. VÃO ATÉ LÁ!!!!
ESTE É O "FILME DA SEMANA" !

terça-feira, 22 de agosto de 2017

LISBOA - O "FILME" DA SEMANA


Numa ida a LISBOA “encontrei-me com esta exposição e lembrei-me deste “escrito” feito há uns anos.

A SOPA
A sopa é acessível a todos e benéfica, tanto no que diz respeito ao Físico, mas também pela “mensagem” que nos traz.
 LEMBREI-ME DESTA MENSAGEM : - (“COMIDA SIM, BOMBAS NÃO”)! Que nos dá mostra da importância da sopa enquanto alimento quase completo (diz o povo) e de fácil digestão, em comparação com as balas e bombas de ingestão rápida e morte súbita ou a prazo.

Se uma granada de mão equivalerá, no custo, a umas trezentas sopas, um míssil balístico daria para produzir uns milhões de pratos a transbordar deste suculento bem alimentar.

Agora, pensando em “MACRO” já que o “MICRO” foi atrás descrito, pensem bem, da importância desta iniciativa de voluntariado puro, no seu significado e na mensagem que ela nos traz,

Pensem !!! : 10% dos gastos mundiais em bombas, material bélico e quejandos dariam, decerto, para alimentar os muitos milhões de cidadãos que neste MUNDO passam fome e comeriam uma SOPINHA, de boa vontade e em PAZ.

ARFER

sábado, 1 de julho de 2017

BIBLIOTECA - UMA JANELA ABERTA PARA O FUTURO!



              BOA TARDE! NÃO ME ESQUECI!!

HOJE, UM DE JULHO, É O DIA DAS BIBLIOTECAS!

"MAS LOUVE-SE O LIVRO E A MAGIA QUE ELE CONTÉM, A PALAVRA QUE ELE NOS TRAZ, AQUELE SENTIMENTO DE PARTILHA E CUMPLICIDADE QUE NOS TRANSMITE QUANDO O FOLHEAMOS. TRANSMITIR ÀS NOVAS GERAÇÕES O VALOR DO LIVRO É UMA RESPONSABILIDADE QUE NOS CABE.

VIVA O LIVRO, O LEITOR E O AUTOR, GÉNIO CRIADOR DE ESCRITOS QUE NOS TRANSMITEM CONHECIMENTO, NOS FAZEM SONHAR E POR VEZES VOAR NUM INFINITO MÁGICO.”

A propósito, encontrei a BIBLIOTECA e perguntei:

- QUEM ÉS TU BIBLIOTECA??

- Eu sou a guardiã do passado, do presente e do futuro.

Tenho no meu seio, as Memórias dos Homens, o seu imaginário criador da esgrima da palavra, em prosa e poesia.

Guardo dicionários de todas as línguas, enciclopédias e livros temáticos das ciências e artes.

Sou um elo da transmissão do SABER e da CULTURA, alimento regenerador e formador de gerações. O meu conteúdo é o “adubo” que fortalece o HOMEM face aos “ditadores de vão de escada” e de todos aqueles que fomentam a ignorância , tendo em vista a dominação e usurpação da LIBERDADE dos povos.

A CULTURA E O SABER SÃO SINÓNIMO DE LIBERDADE.

- Sabes, disse-me a BIBLIOTECA, agora tenho a minha irmã digital que chega a todos os cantos do MUNDO e me tem ajudado neste “trabalho” incessante, de séculos, que vai resistindo aos que aqui e ali, em diferentes épocas mandaram destruir algumas “células” do meu corpo.

Mas nós resistiremos e em cada canto do PLANETA AZUL HÁ E HAVERÁ SEMPRE UMA BIBLIOTECA QUE ESPERA POR TI !!!                                                                                                       
ARFER

sábado, 17 de junho de 2017

SARAMAGO - O HOMEM E A PALAVRA - RECORDAR!




PARA QUE AS MEMÓRIAS FLORESÇAM

O HOMEM E A PALAVRA - SETE ANOS DEPOIS

 "Conheces o nome que deram, não conheces o nome que tens".  "Livro das Evidências" in "Todos os Nomes"

Palavras ditas em 18 de JUNHO de 2010

MORREU JOSÉ SARAMAGO Mas ficará sempre entre nós, O comunista convicto, HOMEM do POVO Que tudo fez e desde sempre lutou Para ver o seu Portugal, um país novo. Gostava de CAMÕES e dos poetas da Liberdade, Amado por muitos, ostracizado por alguns Nunca baixou a guarda na defesa da Verdade. Aqueles que desdenharam o seu valor, apresentam, hoje, sentidos pêsames vazios de sentimento. O HOMEM DA “Jangada de Pedra” que uniu os povos das margens do grande Oceano, respirou hoje pela última vez e, decerto, a sua última vontade foi a de seguirmos o seu ideal. O MUNDO FICOU MAIS POBRE. Em vez de ADEUS, um ATÉ JÁ !!! ARFER

 

PALAVRAS DITAS (Moita -2012) 

A DANÇA É VIDA
Neste palco do MUNDO
Em que todos somos atores.
Na dança dos sonhos
Só se erguem HOMENS de sonho,           
Na lucidez da sua cegueira,
Na dureza do seu caráter,
Nas palavras do seu Evangelho.
E na corrente da limpidez da sua PALAVRA
Carregada de sabedoria                                
Levar-nos-ia na “Jangada de Pedra”
Comandada por bom timoneiro
Ao encontro da “Ilha dos Sonhos”
Onde todos os homens e mulheres
Seriam livres e “Levantados do Chão”.       
Nessa sua “Ilha desconhecida”
Em que múltiplas gentes
De todos os continentes,
Numa sinfonia multicultural,
Fariam dela a sua PÁTRIA.                       
  
Nela honrariam a língua que os unia
Numa dança e num canto de louvor à LIBERDADE.
Por ela derramariam o seu “sangue”,
Pela igualdade no direito e no dever.
No sonho que nele habita                          
    
Dessa tal “Ilha encantada«
Em que o SER dignifica
E o TER não lhe diz nada

ARFER - 2010

E o HOMEM disse:-
“ … Negar a minha Pátria é como rejeitar o meu próprio sangue…”
E o HOMEM interroga:
“ … Como é que se pode não pertencer á língua que se aprendeu,
A língua com que se comunica, neste caso a língua com que
se escreve?? …”

 "Livro das Evidências" in "Todos os Nomes"

Há na memória um rio onde navegam/ Os barcos da infância, em arcadas/ De ramos inquietos que despregam/ Sobre as águas as folhas recurvadas. / Há um bater de remos compassado/ No silêncio da lisa madrugada,/ Ondas brancas se afastam para o lado / Com o rumor da seda amarrotada. / Há um nascer do sol no sítio exacto, À hora que mais conta duma vida, / Um acordar dos olhos e do tacto, / Um ansiar de sede inextinguida. / Há um retrato de água e de quebranto/ Que do fundo rompeu desta memória,/ E tudo quanto é rio abre no canto/ Que conta do retrato a velha história.   JOSÉ SARAMAGO "POEMAS POSSÍVEIS", Editorial CAMINHO, 1981.

terça-feira, 6 de junho de 2017

LISBOA - FESTAS DA CIDADE !


MARCHAS DITAS POPULARES DE LISBOA … A BANDA PASSA …QUEM LEMBRA A DESGRAÇA?

VAMOS VER SE DÁ EM GRAÇA!

O espetáculo JUNINO, mas não genuíno, repete-se cada vez mais sofisticado. Oitenta e quatro anos depois, marchantes, padrinhos, arcos e balões desfilarão (em liberdade) na avenida da LIBERDADE. Segundo informação veiculada,  o  grande desfile, a 12 de junho, terá a seguinte alinhamento: 1. Infantil “A Voz do Operário”; 2. S. Vicente;  3. Penha de França; 4. Bairro Alto; 5. Madragoa; 6. Santa Engrácia; 7. Carnide; 8. Belem; 9. Marcha dos Mercados; 10. Benfica; 11. Olivais; 12. Castelo; 13. Campo de Ourique; 14. Bela Flor - Campolide; 15.  Ajuda; 16. Marvila; 17. Marcha Santa Casa da Misericórdia; 18. GRAÇA; 19. Mouraria; 20. Alfama; 21. Alto do Pina; 22. Marcha da Bica: 23. Alcântara.

. Interessante não é? Festa é Festa, espectáculo na MEO Arena e na Avenida.

 Nos dias 2, 3 e 4, apresentaram-se no “MEO-ARENA” o mais recente palco da moda, dizem que foi e é um bom negócio.

 Destes bairros apresentados a concurso, um deles será o grande vencedor. Estes vinte e um bairros marcharão ( recriando as tradições imaginadas) na Av. da LIBERDADE, no dia 12 de junho, com paragem e exibição frente ao Parque Mayer / Música, dança, arcos e balões / Um espetáculo, bem encenado, a não perder.

E porque, gente coisa é outra fina, este ano, fugindo à regra, alguém se “abotoou” com o “capital” dos fatos e adereços de vários bairros, fruto de uma impunidade generalizada, que não é assunto para aqui tratar.   FICA A INTERROGAÇÃO:   Este ano qual será o bairro felizardo? 

** EM 2016  a grande vencedora foi a MARCHA DE ALFAMA !!!

Mas para que não falhe a memória, cá vai um pouco de história.

 MARCHAS POPULARES OU INVENÇÃO       FOLCLORE CITADINO
 As Festas Populares eram manifestações culturais que espelhavam a identidade de quem as produzia.

Os Arraiais eram comuns nas aldeias, vilas ou bairros da cidade e estavam associados ao SOLSTÍCIO de Verão, de origem Pagã. Era tradição queimar as coisas velhas, e daí a origem das fogueiras juninas.

Nos casos específicos dos bairros da cidade de LISBOA, as festividades populares não fogem à regra e têm, nas mais variadas representações, a sua identidade, no FADO, nas CEGADAS (representações teatrais de rua), nas rodas e cantares à volta da fogueira, 0nde, também, a simbologia do bairro estava presente.

A partir de fins do Sec. XVIII surge o culto do Santo António, que o Clero e o governo da cidade elegeram como patrono popular, passando S. Vicente a mero símbolo da cidade.

Apesar do contacto e interligação com outras culturas e outros hábitos, as “marcas” bairristas vão sendo representadas nas festas tradicionais da cidade onde o culto de Santo António prevaleceu. As marchas “ditas” populares que sucederam às marchas “Aux Flambeaux”, popularmente chamadas de “Fulambó” que percorriam as ruas do bairro e dos bairros adjacentes, em grandes filas, acompanhadas das bandas filarmónicas do bairro ou das designadas “troupes”( estas sim, as marcadamente de raiz popular).

Assim, as marchas populares, deixaram de o ser, ainda que aparentemente o sejam. A partir do Mês de Junho de 1932 passaram a ser um produto de folclore urbano, com obediência a regras e princípios, devidamente regulamentados e com a encenação adequada aos propósitos regimentais, como que um complemento da “CASA PORTUGUESA” de Raul Lino, é mais uma peça do puzle inserida no projecto de folclorização do Estado Novo Português.

É na sequência das comemorações do 28 de Maio, em 1932, que o “Notícias Ilustrado” no seu número especial sobre a efeméride, anuncia o 1º concurso das marchas. Um espetáculo capaz de mobilizar a atenção dos Lisboetas. No dia 12 de Junho de 1932 a sala do “Capitólio” enchia. Um êxito popular, segundo a imprensa da época.

O diretor do “Noticias Ilustrado” era, nem mais nem menos, José Leitão de Barros, também realizador de cinema, promotor cultural e muito ligado a ANTÓNIO FERRO (  “inventor” do GALO DE BARCELOS, como símbolo nacional) o responsável pela política de PROPAGANDA do Regime, criador do Secretariado da Propaganda Nacional. A “ideia-proposta” de Leitão de Barros vai no sentido de satisfazer a vontade de Campos Figueira, diretor do Parque Mayer, no sentido de criar em Junho desse ano (1932) um espetáculo capaz de mobilizar a atenção dos lisboetas, pensado, dito e feito, caiu como sopa no mel. Foram convidadas a participar as colectividades de cada bairro, sendo que a produção estaria a cargo do Parque Mayer.

A propaganda de promoção foi intensa e a mobilização popular aconteceu.

Este projecto, apresentado como que fazendo parte da tradição, era o ideal, numa altura em que bem mais importante que veicular ideias, importava, isso sim, distrair o POVO, em cumprimento da Cartilha Cultural de ANTÓNIO FERRO.

Pouco importará se as marchas que se apresentaram no palco do “Capitólio”, em 12 de Junho, foram as do Alto do Pina, de Campo de Ourique, Bairro Alto ou Alfama, o que conta foi o sucesso popular que teve e principalmente porque foi um veículo de apoio à propaganda do regime Salazarista.

O concurso das marchas populares regressou, em força, no ano de 1934, concorreram então 12 Bairros. O Município de Lisboa chamou a si a organização e integrou-as no que designou por Festas da Cidade.

Se nos últimos anos são signo dos Santos Populares,  em 1934 as marchas celebraram o 10 de Junho (como Dia da Raça); em 1940 assinalaram os Descobrimentos Portugueses; de 1941 a 1946 não desfilaram, foi o tempo da 2ª Guerra Mundial; em 1947 comemorou-se a conquista de Lisboa aos Mouros por D. Afonso Henriques e em 1973 o tema foi o Grande Desfile Popular do Mundo Lusíada.

A cidade acabou por se apropriar das marchas como símbolo de uma identidade perdida, entre o rural (Ex. m. de Benfica) mas quanto à celebração das festas e dos santos populares constitui uma novidade, acabando até por potenciar a tradição dos arraiais e dos bailes populares.

As CEGADAS, essas, foram politicamente extintas e a representação transferida para os palcos, onde o controle da censura era mais eficaz.

Desta forma, tento fazer lembrar que as “Marchas (ditas)  Populares” foram uma encenação criada com objetivos concretos, tal como muito do folclore rural que foi criado (a partir dos anos 30) e que hoje representam um espetáculo que, conjuntamente com outros, fazem parte do programa das festas da cidade. Não são uma tradição cultural, mas um espetáculo em que através de simbologia própria manifesta o propósito de nos mostrar algo que tem ou teve ou poderá ter a ver com o Bairro que representam.

ARFER

segunda-feira, 5 de junho de 2017

TORDESIHAS - PONTO DE ENCONTRO HÁ 523 ANOS




      TRATADO DE TORDESILHAS              523 ANOS DEPOIS

Será que El-Rei D. João II, ao firmar o Tratado de Tordesilhas, já sabia da existência de novas terras a Ocidente e a Sul do Equador? – A norte tinha a certeza. E como prova, as idas à Terra Nova dos portugueses na demanda do Bacalhau.
O Caminho da Índia era conhecido devido às informações trazidas por Diogo Cão e pelo seu espião de serviço (007) Pero da Covilhã.
Porque terá rejeitado os serviços que lhe foram propostos por Cristóvão Colombo?


Tudo leva a crer que a substituição do Tratado de Alcáçovas  pelo Tratado de Tordesilhas , em 7 de junho de 1494 foi preparado cuidadosamente e em segredo por D. JOÃO II.

Quando,  a 09/o3/1500, Pedro Álvares Cabral partiu do estuário do Tejo, comandando uma armada (bem armada) de 13 navios com cerca de doze centenas de homens a bordo (na rota da INDIA)  e da qual faziam parte  Bartolomeu Dias, Nicolau Coelho o cosmógrafo Duarte Pacheco Pereira, é a confirmação de que aquele “desvio” na rota, já conhecida e navegada, não foi casual.

Devido a este facto histórico, acontecido num 7 de junho , aconteceu  um  encontro de povos que viria a dar origem à grande amplitude e importância que a língua portuguesa tem, no Mundo.

A visão de um HOMEM (D. JOÃO II) que em 13 anos de reinado (acabou envenenado) e o rei que se lhe seguiu (D. MANUEL II  o “VENTUROSO”), com a herança que lhe foi confiada,  deu continuidade a epopeia épica de um povo que habitava num rectângulo, à beira-mar plantado, no extremo ocidental da “Jangada d Pedra”, que Luís Vaz de Camões bem descreve nos “LUSÍADAS” e séculos mais tarde, Gilberto Freyre justifica o porquê de tão poucos, conseguirem dar origem a esta amplitude do português falado: - “ …a mobilidade e a miscigenação…).
E como sempre a síntesea síntese:


A Ocidente o BRASIL, a Oriente Timor.
No meio Angola, Moçambique e Guiné.
Não julguem que me esqueci de Goa, Macau e S. Tomé
E, também, de Cabo Verde, ponto de encontro no Mar.
Povos que têm em comum, o português no Falar.
ARFER